Monday, June 6, 2011

Vandalismo na Praça da Ribeira e Ponta Tâmara - Reacção da Pró Praia



Tomando conhecimento da ocorrência de actos de vandalismo e destruição da Praça Calabaceira/Vila Nova e das plantas da Ponta Tâmara, a PROPRAIA enquanto defensora de uma cidadania construtiva e pro-desenvolvimento desta urbe, não podia deixar de manifestar o seu descontentamento e repúdio a tais comportamentos que em nada se coaduna com o civismo, a responsabilidade e outros valores de cidadania clamados pela Capital.

Apelamos viementemente a toda a população praiense ao exercício activo de uma cidadania-vigilante.

POR UMA PRAIA MELHOR, SEMPRE!”

Friday, May 13, 2011

Pró Praia organiza Workshop

A Pró PRAIA pretende organizar, no próximo dia 17, terça-feira, um workshop de debate, tendo como orientação temática CULTURA, PATRIMÓMIO E ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO na cidade da PRIA, reunindo instituições, personalidades e sociedade cívil, para de forma mais específica abordar as valências e as potencialidades do Centro Histórico Plateau numa perspectiva a património nacional.

O workshop decorrerá na sala de conferências do Palácio Ildo Lobo, durante o período de manhã, num formato de paineis seguido de debates, onde estarão presentes representantes das mais diversas instituições nacionais para um debate aberto e directo sobre a Praia e o Plateau.

Todos são convidados a participar.

A Direcção da Pró Praia

Alcides de Oliveira

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Agenda:

AGENDA DO WORKSHOP SOBRE PRAIA: ORDENAMENTO TERIT]ORIO, CULTURA E PATRIMÓNIO

Local: Palácio da Cultura

Data: 17 de Maio de 2011, das 8h30 às 13h30

08H30 Chegada e inscrição dos convidados


08H45 ABERTURA

Intervenção do Presidente da Associação Pró Praia, Dr. Alcides Oliveira

Intervenção do Presidente da Câmara Municipal da Praia, Dr. Ulisses Correia e Silva


09H00 PAINEL 1

Que PDM para a Cidade da Praia?

Leituras do Arq. Cipriano Fernandes e do Arq. Nuno Lobo

Debatedor: Dr. Elísio Semedo (?)

Seguido de Debate as 9H40 às 10H30


10H30 PAINEL 2

Praia: uma nova visão da Cultura e do Património

Leituras da Arqª Patricia Anahory e do Dr. Filinto Elísio

Debatedor: Dr. Charles Sanson Akibode


11H10 Intervalo para café e Projecção de partes do filme de JÚLIO SILVÃO

11H20 às 12H3: Debate

12H30 – ENCERRAMENTO - Representante do Governo

Monday, March 21, 2011

PROPRAIA – Associação pro Desenvolvimento da Praia, manifesta satisfação por algumas realizações/projectos da CMP

O crescimento acelerado da Praia, aliado ao seu estatuto suigeneris enquanto capital do país, principal pólo sócio-económico, político e cultural do país e referência no contexto internacional, requer acções assertivas e céleres que lhe possam auferir atributos de sustentabilidade e proporcionar uma qualidade de vida aceitável e em sintonia com o patamar de desenvolvimento a que Cabo Verde se encontra e almeja num futuro bem próximo.

A PROPRAIA, enquanto instituição vigilante e preocupada com o processo de desenvolvimento desta urbe, elegendo o exercício da cidadania pro-activa como principal estratégia, vem actuando de forma pedagógica, através de críticas construtivas, sugestões e propostas de melhoria, em relação às obras, políticas e estratégias de desenvolvimento em prol da Praia.

Considerando certas obras de impacto significativo na melhoria da qualidade de vida dos munícipes e determinantes na criação de um espaço urbano cada vez mais atractivo, tanto para visitantes como para a classe empresarial, a PROPRAIA manifesta aqui a sua satisfação perante o seguinte:

· Requalificação da rua 5 de Julho no Platô com a sua transformação em pedonal (obra há muito reivindicada pelos Praienses) e introdução de um sistema moderno de iluminação solar, o que veio a atribuir maior atratividade e competitividade ao centro histórico, Platô. Essa rua tornou-se no principal palco de actividades culturais e de negócios na Praia, atraindo investimentos qualitativos e de interesse social, como festivais, desfiles, etc. O protocolo fincado recentemente entre a CMP e um grupo de jovens artistas, visando a pintura geral dos edificífios da mesma rua, é sem dúvida, uma mais-valia, devendo servir de exemplo e modelo de intervenção noutros potenciais espaços da cidade. Que venham outras acções semelhantes em locais como Ponta-Belém, ASA, Achadinha, onde a dinâmica do mercado local justifica por si só tais intervenções.

· A valorização e potenciação cultural da tradicional culinária-cinzas, enquanto produto de atração turística, foi uma acção louvável promovida pela CMP. Esta actividade vinha sendo reclamada pela PROPRAIA, tendo apresentado inclusivamente sugestões nos seu boletins periódicos de outrora, no sentido de valorizar e incrementar os produtos culturais e turísticos da ilha de Santiago. A ideia, implementada este ano, na rua 5 de Julho e no largo da BN, revelou-se um sucesso e a PROPRAIA congratula-se com a intenção da CMP em institucionalizá-la. Sem dúvida que este produto cultural possui pernas para conquistar espaço privilegiado no mercado turístico nacional, tendo mesmo potencialidades de se desdobrar em feiras semanais durante a quaresma, uma oportunidade singular de interacção social e de promoção de negócios nesta região de Santiago.

· Requalificação do Estádio da Várzia, nomeadamente a sua iluminação, colocação de assentos e criação de uma comissão de gestão, em resposta à enorme carência de infraestruturas desportivas na Capital. Uma gestão autónoma do referido estádio poderá garantir a sua sustentabilidade e oferecer serviços de qualidade, naquela que é a miaor região desportiva do país. Essa infraestrutura merece assim um trabalho profundo para a sua plena qualificação: cobertura das duas bancadas laterais, assentos, serviços básicos de saneamento (reparação do balneário e ligação à rede de agua e esgoto da cidade), um novo placard electrónico, novas e modernas formas de publicidade.

· Projecto de instalação de um parque de diversão e requalificação do Parque 5 de Julho, um espaço há muito exigido pelos praienses, o parque 5 de Julho merece, de facto, um melhor aproveitamento consoante a sua “vocação natural”. Bem haja o parque requalificado e, para a satisfação total dos praienses, nada melhor que a sua projecção em direcção ao memorial Amilcar Cabral, através de um grande corredor pedonal e verdejante (city park), abrangendo toda a baixa do Tahiti.

· Várias outras intervenções como obras, arranjos e beneficiação das vias, de casas a cair e de espaços de lazer têm merecido grande apreço dos praienses.

Portanto, a PROPRAIA congratula-se com essas realizações que constaram num vasto leque das suas reivindicações, sob lema POR UMA PRAIA MELHOR, SEMPRE. E, uma vez que as reivindicações são ainda muito maiores, a PROPRAIA não pode contentar-se e suspender a sua nobre tarefa de cidadania vigilante e responsáveal. Continuaremos a denunciar as urgências e propor soluções aos inúmeros e complexos problemas desta cidade capital e acolhedora, de todos os Cabo-verdianos.

POR UMA PRAIA MELHOR, SEMPRE!

Tuesday, March 1, 2011

Agenda Pró Desenvolvimento Sustentado da Praia

Definição de uma agenda pró desenvolvimento sustentado da Praia

A Associação Cívica PróPraia mantem no cerne da sua atenção o desenvolvimento sustentado da cidade da Praia, elegendo como prioridade máxima a resolução dos problemas básicos que esta capital vem enfrentando, sem contudo subestimar o papel que um planeamento estratégico protagoniza no processo de desenvolvimento equilibrado, em benefício de todos;

Considerando o contexto socio-económico actual e os desafios que se impõem em relação à (re)definição de políticas e estratégias de curto, médio e longo prazos que sirvam os interesses dos praienses;

Tendo em conta as vocações e as potencialidades de desenvolvimento que a cidade e a região cosmopolitana da Praia apresentam, bem como o significado das mesmas nos contextos nacional e internacional;

Perante permanentes reinvindicações, sobretudo dos praienses, a uma qualidade de vida mais digna e correspondente às exigências e padrões de um país de desenvolvimento médio ascendente; bem como as responsabilidades individuais e colectivas de todos os intervinientes no seu processo de transformação e de desenvolvimento;

Define, durante as suas últimas sessões de reflexão sobre a Praia do futuro, as seguintes áreas como sendo prioritárias e de crucial importância para o futuro desta cidade capital, pelo que recomenda e apela a um forte engajamento e determinação de todos os actores envolvidos (políticos, sociedade cicil, classe empresarial, instituições nacionais e internacionais), o desenvolvimento e implementação, em tempo útil e sem prejuízo para os moradores, grupos e instituições que se encontram directa e indirectamente conectadas a ela, de acções concretas e consistentes, visando a materialização das respectivas áreas abaixo mencionadas, numa base participativa, envolvendo todos os praienses e cabo-verdianos (residentes e não residentes), em todas as fases do processo.

Áreas prioritárias por grupos temáticos


G1: Inserção económica:

• Consideração e Engajamento Estratégico da ilha de Santiago e da Praia na constituição e desenvolvimento do cluster do mar (em curso), mas numa perspectiva nacional, considerando as potencialidades naturais que a região-ilha proporciona.
• Assumpção, pela Praia, da condição de uma cidade marítimo-portuária, tendo em conta o volume do tráfego, valorizando toda a baía de Santa Maria (Gamboa), num projecto integrador cidade/mar;
• Promoção e implementação de medidas favorecedoras de uma verdadeira Autonomia do Porto da Praia
• Promoção e desenvolvimento do Centro Internacional de Conferencias da Cidade da Praia e consolidação do Centro Financeiro da Praia


G2: Sector Electricidade, Água, Saneamento, Ambiente

• Regularização do abastecimento da Electricidade na cidade da Praia e ilha de Santiago e resolução imediata da iluminação publica, baseada na consolidação da central única e apostada fortemente nas energias renováveis (solar fotovoltaica e eólica);
• Melhoria da qualidade e de abastecimento de água, bem como de saneamento público;
• Proceder à reestruturação da ELECTRA, visando maior eficiência na sua gestão a nível da Capital;
• Intervenções nas praias da Gamboa, Prainha e Quebra Canela, com destaque para a primeira, crianda condições para o seu uso, sem perigo à saúde pública
• Implementação de uma solução alternativa viável ao tratamento dos resíduos sólidos da Praia, eliminando a actual lixeira à margem da Circular da Praia


G3: Sector Saúde e Segurança Pública

• Construção de um novo Hospital, de referencia para a região Sul na Cidade da Praia;
• Regularização das questões de pequena criminalidade e segurança na Cidade da Praia;


G4: Planificação e Ordenamento Territorial

• A aprovação do Estatuto Administrativo Especial para a Praia;
• Aprovação dos planos de ordenamento de território, mormente o Plano Director para Município da Praia;
• Construção de um parque urbano, requalificando o pulmão verde da cidade – Taiti
• Requalificação e infraestruturação da orla marítima da Praia, com destaque para a requalificação da Praia da Gamboa e da Rampa s. Januário
• Desenvolvimento de projectos de drenagem das águas pluviais e de protecção valorização das encostas


G5: Sector Infraestrutura e Património

• Criar estradas de penetração
• Dar continuidade ao programa Casa para todos, com prioridade para localidades mais carentes e vulneráveis;
• Expandir o aeroporto da Praia, contemplando a expansão da pista por mais 400 metros e construção de taxiways;
• Elevar o Centro Histórico de Plateau a um sitio patrimonio nacional e internacional e centro de turismo;
• Criação e infrastruturação dos parques industriais da Praia e do interior de Santiago;
• Edificação do Centro de Convenções da Praia
• Promoção de infraestruturas de acolhimento e hoteleiras à altura da capital do país
• Reabilitação/modernização urbana (habitação, bairros e encostas, incluindo as intervenções previstas no quadro do projecto em curso de requalificação da frente marítima da cidade da Praia) e do sistema de transporte rodoviário (construção das terminais de transporte inter-urbanos norte e sul da Praia;
• Construção de estações de transportes rodoviários inter-urbanos para os eixos Norte-Sul e Sudoeste – Sul da ilha de Santiago.


G6: Sector Recursos Humanos, Educação, Novas Tecnologias

• Acelerar a instalação do Campus Universitário da UNI-CV
• Acelerar o processo de instalação do Centro e Parque Tecnológico com todas as vertentes necessárias e envolvendo todos os parceiros económicos e sociais;


G7: Cultura, Juventude e Desporto

• Promover a dinamização cultural no centro histórico do plateau e acções de economia de cultura na cidade da Praia, associada ao turismo, alargada a outros bairros
• Construção de pelo menos mais dois Gimnodesportivos nos centros sul e norte da Praia

Friday, November 26, 2010

Associação ProPraia responde

Lendo o texto articulado pelo Senhor Benvindo António Tavares, sob o título “Praia: ontem, hoje e amanhã”, publicado no jornal A SEMANA, no. 959, de 19 de Novembro de 2010, pág. 26, a Associação para o Desenvolvimento da Praia (ProPraia) cumpre o direito de esclarecer o seguinte:

Enquanto associação de desenvolvimento da Praia, a ProPraia vem actuando, desde a sua criação (2002), numa lógica de estreita parceria com todas as forças vivas da sociedade (nível central, municipal e local, instituições nacionais e internacionais, sociedade civil), visando a promoção do exercício da cidadania, em prol do bem-estar e de um ambiente cada vez mais acolhedor e aconchegante daqueles que procuram esta urbe como espaço de inter-acção e de intercâmbio.

No exercício desta nobre tarefa, a associação ProPraia tem apostado numa metodologia de diálogo construtivo, baseado na informação e no conhecimento, o que vem distanciando as suas intervenções de qualquer tentativa de âmbito meramente cincunstancial, emocional ou mesmo oportunista.

Como associação de e pro desenvolvimento que é, ela é e tem sido sempre apartidária, elegendo como causa maior o exercício da cidadania activa e responsável, reforçando a voz da sociedade civil Praiense.

Obviamente, não nos cabe, e nunca será nossa pretenção, enquanto ProPraia, apreciar, na sua essência, as opiniões do articulista Benvindo Tavares que, embora um pouco desarticulado na sua relação título/corpo do texto, (con)centrou-se nos seus (des)encantos com os (des)feitos politico-partidários, tomando como palco a Capital – Praia. Enfim, questões que mexem com muitos Cabo-verdianos enquanto indivíduos e políticos, sobretudo em momentos pré-eleitoriais e eleitorais, e que directa ou indirectamente têm a ver com preocupações ligadas ao desenvolvimento, ao bem-estar e à qualidade de vida, individual e/ou colectivamente.

No entanto, queremos crer que o articulista teria sido feliz, se tivesse escusado de, literalmente, lançar acusações infundadas e descautelosas em relação à nossa associação. Neste sentido, aproveitamos para convidar o articulista a uma melhor aproximação e interacção com a ProPraia, uma atitude inteligente e proporcionadora de conhecimento sobre a realidade da nossa associação, pois só assim poderá combater alguma ignorância e medo.

Certamente, se tivesse conhecimento mínimo sobre os valores que norteam a ProPraia, suas acções desenvolvidas, seus parceiros, seus dirigentes, nunca teria feito tal ingênua confusão e desnorteamento. E, certamente, evitaria tal aberração de se auto-contradizer ao tocar assuntos sensíveis e estratégicos de governação, como sendo a comunicação social, o saneamento básico, o meio ambiente, cuja análise, pela sua complexidade, requer conhecimento aprofundado. Veja, Senhor Tavares, se, enquanto político, não estará a embaraçar o seu próprio partido ao abordar determinados assuntos da forma como fez.

A ProPraia terá todo o prazer de iniciar um diálogo construtivo consigo, assim como vem mantendo com os demais cidadãos e entidades atentos e preocupados com o desenvolvimento desta urbe, independentemente das suas opções e sensibilidades políticas, pois temos a consciência da dimensão, da diversidade e da complexidade desta cidade e sabemos que é sobretudo na diversidade que a riqueza se constrói.
Seja Bem-vindo à ProPraia.

Por: Alcides de Oliveira

Saturday, September 25, 2010

Pró Praia insatisfeita com Electra

A cidade da Praia vem sendo fustigada, com maior incidência nos meses de Julho e Agosto do corrente ano, com permanentes e prolongados cortes de energia eléctrica e escassez de água, sem que, no entanto, a ELECTRA dê mostras ter a situação sob controlo.

Aliás, convém recordar que o problema dos cortes sistemáticos de energia eléctrica e da falta de água durante verão já é recorrente, o que, para os praienses, revela uma total incapacidade da ELECTRA na gestão da produção, transporte e distribuição de energia e água na capital do país, bem ainda na elaboração de um plano de prevenção e/ou de emergência que a situação requer.

Com efeito, dias houve em que os cortes se prolongaram por quase 48 horas sem que os responsáveis da ELECTRA tivessem apresentado uma explicação convicente sobre o ocorrido, levando a população ao desespero devido à falta de energia e do precioso líquido.

O país e a sua capital já não aceitam passivamente a repetição deste cenário de carestia e colapso energético, que tem reflexos negativos na economia da capital para além de pôr à prova, perigosa e irresponsavelmente, os nervos da população.

Recorde-se as inúmeras manifestações de descontentamento, nomeadamente as reclamações e protestos dos cidadãos e de empresas instaladas na capital, em particular através dos meios de comunicação social. Tanto daqueles que têm visto os seus negócios comprometidos, amargando prejuízos sobre prejuízos, como do simples cidadão que é privado, durante largas horas, de uso de equipamentos indispensáveis para as lides domésticas, de opções de lazer dependentes de energia, da iluminação doméstica e pública (apenas para citar exemplos do dia-a-dia).

Sem entrar por ora em considerações sobre a política energética adoptada pelo Governo, da louvável iniciativa para a opção de introdução de energias alternativas ou ainda sobre os constrangimentos ligados à questão de produção, transporte, distribuição e perdas de energia e água na capital, por não ser este o meio e o momento apropriado para o efeito, a Pro-Praia, contudo, perante o actual estado de penúria de fornecimento desses bens à cidade da Praia, não pode deixar de manifestar a sua profunda insatisfação com o desempenho e compromisso da ELECTRA para com os praienses, que anseiam definitivamente por uma “luz no fundo do túnel”.

A população da Praia merece e exige mais respeito.

Cidade da Praia, aos 24 de Setembro de 2010

Pela Direcção da Pro-Praia

O Presidente
Alcides Oliveira

Thursday, August 26, 2010

Cidadela – Mais um caso para Pensar a Praia do Futuro

Publicado no Asemana de 26 Agosto 2010

Cidadela é um bairro da Capital portador de um projecto urbanístico ambicioso, tendo por isso gerado elevada expectativa junto dos Cabo-verdianos. Para além da fabulosa publicidade que à volta dela se fazia, a própria designação em si contribuía para escorar tal ambição. Por: Alcides de Oliveira

Cidadela – Mais um caso para Pensar a Praia do Futuro

Entretanto, considerando a situação crítica por que passa Cidadela e as vicissitudes impostas pela deficiente gestão dos contratos celebrados sob capa de parceria público-privada, a realidade é outra e a expectativa das pessoas estão claramente defraudadas.

Pretende este artigo ser apenas Publish Postum modesto, mas necessário, contributo para, de um lado, evidenciar os reais problemas do quotidiano “cidadelense” e que paulatinamente se vêm tornando crónicos, e, doutro lado, apelar à consciência e ao interesse de instâncias responsáveis, tanto as de natureza pública como privada, no equacionamento desses que são, afinal, problemas de uma comunidade tão importante como tantas outras desta urbe.

Antes de mais, devo dizer que Cidadela tinha e tem um grande potencial intrínseco para se transformar num verdadeiro modelo de urbanização e gestão territorial urbana, mas também do próprio desenvolvimento local sustentado.

Basta pensarmos nas inúmeras facilidades de negócio que um bairro organizado e estruturado como a Cidadela poderia proporcionar a empresas como, por exemplo, a ELECTRA, a CVTELECOM, os CORREIOS, permitindo-lhes mecanismos fáceis e eficazes de controlo/facturação de serviços, claro, desde que sejam em qualidade e quantidade demandadas; basta pensarmos em projectos economicamente auto-sustentados como por ex. a produção de energia limpa (eólica e/ou solar) à escala significativa, podendo atingir mesmo 100% de penetração a nível do referido bairro, traduzindo-se em ganhos valiosos para os moradores, para além do impacto em termos de imagem e projecção que traria ao país na arena regional e internacional; basta imaginarmos o sistema de produção descentralizada e autónoma de água para consumo doméstico, cuja tarifa real actual no bairro em questão ascende os 1.000$00/tonelada, assustando e atropelando bolsos de todos; imaginem... estou a falar de um espaço muito atractivo a investimentos e de elevado potencial para materialização de parcerias.

Diria eu inicialmente, de alguns problemas que vêm afectando significativamente a qualidade de vida de todos aqueles que, há bem poucos anos, acreditaram nas soluções CIDADELA como melhor opção do seu investimento no tocante a edificação do seu lar, problemas esses que passarei a citar:

1. Péssima qualidade, para não dizer ausência, de electricidade e falta de acesso à rede pública de água. Bens vitais, mormente quando falamos de água, esses nunca devem ser manipulados em função de interesses ou caprichos particulares de uma ou outra instituição/empresa. Tornou-se incompreensível a morosidade e a incapacidade de solucionar esses problemas básicos à sobrevivência dos moradores da Cidadela que se agravam dia após dia. Estes, além de serem vítimas da obrigatoriedade de consumir uma energia de qualidade desastrosa pela qual ninguém assume responsabilidade (pois a Electra fornece e factura de boca calada, dizendo até que não fornece, a Tecnicil paga à mesma que afirma não ser sua obrigação, as demais autoridades e entidades ignoram simplesmente a situação), sentem-se ainda obrigados a consumir água potável a um custo exorbitante de mil escudos/m3, nada menos falar em crime público para quem conhece a realidade socioeconómica deste país. Os humanos doutras latitudes, mas deste mesmo planeta, assustam-se logo ao saber dessa arrepiante situação.

2. Inexistência de iluminação pública, deixando todo o bairro totalmente fragilizado em termos de segurança pública. Daí pergunta-se: como debater então a política de iluminação pública aplicando a lógica consumido - pagador num país onde esse bem público é tão mal repartido e mal gerido? Estarão todos os “Cidadelenses” isentos dessa tarifa simplesmente por não disporem nem beneficiarem directamente desse bem público? Ou mesmo compensados por prejuízos acumulados resultantes da ausência do mesmo?

3. Deficiente acesso e ruas em estados deploráveis. Uma área planeada para albergar cerca de vinte a vinte e cinco mil pessoas, praticamente uma pequena cidade, mas com apenas uma porta de entrada/saída. Estaremos sim perante um mega condomínio fechado? Também algo inadmissível. Caso contrário, estaremos a reproduzir série de mega condomínios, típico desses ditos novos e nobres bairros da capital. Basta ver a conexão existente entre ASA e Palmarejo, entre este, Cidadela e Cova Minhoto, entre Cidadela e Palmarejo Grande, entre este e Santiago Golf Resort, etc. Será isto o mote do moderno ordenamento urbano?

4. Degradação ambiental. O processo contínuo da destruição daquilo que é dos maiores patrimónios paisagísticos da área sudoeste da capital, o Monte Vermelho, evidencia inexistência de autoridade em matéria ambiental e patrimonial. Uma agressividade violenta à natureza; um desrespeito ao bem público; desrespeito às gerações jovens e futuras. Agravando ainda a situação, destaca-se, a pouca distância, a maior lixeira da Praia, a céu aberto, brindando uma boa parte dos moradores com a sua paisagem caótica, ao mesmo tempo que os envolve, sequencialmente, em “neblinas” de teor altamente prejudicial à saúde humana. Esgotos e outras tantas lixeiras a céu aberto são realidades bem visíveis espalhadas pelos quatro cantos da Cidadela. Certo de que nessas matérias existem não só autoridades municipais, mas também nacionais, dotados de instrumentos necessários a uma intervenção célere, fica desde já o nosso veemente apelo.

Perante tudo isso, pergunta-se então quem falhou? Ou, então, quem anda a tramar os moradores da Cidadela? Ou, ainda, quem anda a desconstruir a qualidade urbana da Cidade da Praia? Naturalmente que não haverá um único culpado. No referente à Cidadela, não o há com certeza.

A implementação de qualquer projecto de desenvolvimento implica antes de mais, estabelecimento de parcerias, sendo a PPP a forma mais adequada e mais aplicada nesses últimos tempos. Será difícil, neste estado de direito democrático, apurar responsabilidades no caso concreto da Cidadela, onde durante todo o processo de projecção e lançamento todos os intervenientes estiveram visivelmente activos, nomeadamente a Tecnicil a investir na obra, a Câmara Municipal a receber a obra, o Governo a inaugurar a obra, os privados a construir legalmente, a Electra a fazer a instalar e a cobrar taxas de ligação à rede de esgoto e fornecimento de “energia”?

Certamente que, num mínimo de esforço de união, em jeito de parceria, assim como foi o caso por ocasião do lançamento do projecto, ficariam resolvidos os grandes problemas da Cidadela, para o bem dos moradores, das empresas cabo-verdianas e de todo Cabo Verde. Pela parceria, com a parceria. Assim, estaríamos a pensar a Praia do Futuro. E não da forma como vem acontecendo…